Fenacef - Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da CEF

Operação Greenfield vai ampliar para 100 as investigações

BRASÍLIA -  A Operação Greenfield – que apura desvios nos maiores fundos de pensão do País – vai ampliar em dez vezes o número de investimentos que serão investigados por suspeita de corrupção. Quando foi deflagrada, em setembro de 2016, a força-tarefa sediada em Brasília teve como alvo dez operações feitas pelas entidades de previdência ligadas a estatais: Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás), Postalis (Correios) e Funcef (Caixa). Agora, os procuradores da Operação Greenfield esboçaram um plano de ação e buscam reforço para investigar cerca de 100 investimentos suspeitos.

 

 
FuncefAgentes da PF retiram malotes e computadores da sede do Funcef, em Brasília Foto: André Dusek/Estadão

Os fundos de pensão fecharam 2016 com rombo de R$ 70,6 bilhões, segundo levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), o xerife do setor. O dado preocupa por causa da rápida expansão do déficit do sistema, que subiu 700% em quatro anos – em 2012, o buraco era de R$ 9 bilhões. O rombo subiu para R$ 21 bilhões em 2013 e para R$ 31 bilhões no ano seguinte. O ápice foi em 2015, quando somou R$ 77,8 bilhões. 

 

 

Um plano de aposentadoria registra déficit quando os ativos não são suficientes para pagar os benefícios previstos até o último participante vivo do plano. Além de supostos casos de desvio em algumas entidades, a longevidade da população e o resultado dos investimentos feitos na Bolsa são as principais dificuldades que vêm sendo enfrentadas pelos fundos. A meta dos investigadores é identificar qual parcela desse rombo está relacionada a falcatruas. 

Greenfield

Força-tarefa que apura desvios nos fundos de pensão já teve duas fases e vai ampliar investigações

1ª FASE

A operação deflagrada pela Polícia Federal em setembro

de 2016 investigou “gestão temerária e fraudulenta”

de quatro dos maiores fundos de pensão do País

Fundos de Investimentos em Participações (FIP)

FIPS INVESTIGADOS:

FIP Cevix

FIP Multiner

FIP Sondas

FIP OAS Empreendimentos

FIP Enseada

FIP RG Estaleiros

FIP Global Equity

FIP Florestal

Petros (Petrobrás)

Funcef (Caixa)

Previ (Banco do Brasil)

Postalis (Correios)

POR INFLUÊNCIA POLÍTICA, ESSES FUNDOS COMPRAVAM AQUISIÇÕES DE COTAS SUPERFATURADAS EM

2ª FASE

O Ministério Público Federal e a PF deflagraram, em março de 2017, mais uma etapa da Greenfield

A operação apura crimes como gestão fraudulenta de fundos de pensão que realizaram investimentos no FIP Florestal, que recebeu aporte de R$ 550 milhões da Petros e Funcef

Alvo de mandado de prisão

Alvo de buscas

Mário Celso Lopes*

Empresário é sócio da Eucalipto Brasil

Mário Celso Lincoln Lopes

Empresário

Participou da constituição

da Florestal S/A (atual FIP Florestal); na época, o empresário era sócio da MCL, que se aliou ao Grupo J&F

Filho de Mário Celso Lopes, também é sócio da Eucalipto Brasil

Imóveis de Lincoln foram alvo de buscas

O que diz a Procuradoria

R$ 190 milhões

Eucalipto Brasil

O CONTRATO TEVE COMO FINALIDADE “DISSIMULAR A REAL INTENÇÃO” DE JOESLEY BATISTA, DA J&F, DE COMPRAR O SILÊNCIO DO EX-SÓCIO MÁRIO CELSO A RESPEITO DOS ILÍCITOS OCORRIDOS NA CRIAÇÃO DA EMPRESA FLORESTAL, A FIM DE IMPEDIR O AVANÇO DAS INVESTIGAÇÕES

O CONTRATO ERA DE FORNECIMENTO DE MASSA FLORESTAL DE EUCALIPTO PARA PRODUÇÃO DE CELULOSE

Em 2016, a Eldorado Celulose firmou um contrato com a Eucalipto Brasil

UM MÊS APÓS O FECHAMENTO

DO NEGÓCIO, UMA CLÁUSULA

FOI RETIRADA DO CONTRATO. A ALTERAÇÃO BENEFICIOU MÁRIO CELSO EM DETRIMENTO DA ELDORADO

NAS PRÓXIMAS FASES

Exemplos de investimentos que estão sendo investigados:

Compra de debêntures da JHSF pelo Potalis. Em troca, Predtchensky teria recebido propina de 3% do valor total da negociação,

de R$ 75 milhões

Compra pelo Postalis de cotas de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios no Banco Cruzeiro do Sul, que posteriormente foi liquidado pelo BC. Em troca, o ex-presidente do Postalis, Alexej Predtchensky, teria recebido R$ 715 mil

 

*Foi solto ontem após prestar depoimento
Fonte
Ministério Público Federal e Polícia Federal

A força-tarefa quer agora reforçar a equipe para apurar também possíveis crimes envolvendo outros fundos de pensão. “Isso não quer dizer que teremos pernas e braços para trabalhar em todos os casos, vai depender muito da estrutura que nós possamos receber no futuro. Sabemos que sim, existem outras entidades em que ocorre o mesmo tipo de irregularidade”, diz o procurador Anselmo Cordeiro Lopes, coordenador do grupo de investigadores. 

“Nossa projeção é no mínimo dobrar nossa meta de trabalho. Se não tivermos crescimento de estrutura na força-tarefa levaremos 10 anos para aprofundar esses casos em que há indícios de ilicitudes”, afirmou. 

Dois dos novos casos incluídos pela Greenfield no planejamento de investigações do próximo ano são relacionados à delação do empresário Paulo Roberto Gazani Júnior, revelada pelo Estado em novembro. Ele afirmou aos investigadores que foram repassados R$ 715 mil ao ex-presidente do Postalis Alexej Predtchensky por meio de uma falsa doação para uma igreja. O empresário, segundo as investigações, ajudou a estruturar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios no extinto Banco Cruzeiro do Sul com intuito de vender créditos consignados ao Postalis.

O empresário também revelou outra operação incluída pelos procuradores na lista de investigações. Segundo ele, Predtechensky pediu propina de 3% na negociação de uma operação de debêntures envolvendo a empresa JHSF. O valor total da negociação era de R$ 75 milhões. À época, o então presidente do fundo falava em necessidade de “honrar compromissos” com padrinhos políticos do PMDB, segundo o delator. Nos dois casos, o delator afirma que as empresas não tinham conhecimento dos pagamentos. 

A Greefield teve duas fases ostensivas, quando são cumpridas medidas cautelares como prisões e buscas – uma em setembro de 2016 e outra em março de 2017. Por conta da união promovida pela Procuradoria do Distrito Federal, a força-tarefa abarcou a apuração sobre desvios na Caixa, proveniente das operações Sépsis e Cui Bono?.

Em 2017, ao focar na Caixa, a força-tarefa impulsionou as investigações ao assinar o acordo de leniência do grupo J&F e a colaboração do corretor Lúcio Bolonha Funaro. Os desdobramentos desse braço da Greenfield colocaram na cadeia os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e resvalaram na cúpula do PMDB da Câmara, grupo político do presidente Michel Temer.

Outro lado. A incorporadora JHSF afirmou que a operação de debêntures incluída pelos procuradores na lista de investigações da Operação Greenfield foi feita “respeitando leis e normas vigentes no País.” A operação, segundo a empresa, foi quitada antecipadamente em 19 de dezembro de 2013, “proporcionando ganhos de 54,6% no período às dezenas de investidores entre os quais diversos fundos privados.” 

A Previc respondeu em nome do Postalis, sob intervenção federal desde novembro, e disse que dá todo apoio técnico à investigação realizada pelo MPF. A Funcef disse que não vai se manifestar.

A Previ, por meio de nota, afirmou que a Greenfield “não encontrou qualquer constatação de irregularidade na Previ, que não teve nenhum dirigente ou executivo indiciado em suas investigações.” “Nossos ativos são fortes e resilientes, administrados por uma equipe técnica, competente e séria. Não à toa tivemos resultados positivos em 2016 e em 2017 (até outubro) no Plano 1, o nosso plano de benefício definido, nos valores de R$ 2,19 bilhões e R$ 7,02 bilhões, respectivamente”, diz a nota.

A Petros, também por nota, diz que “vem colaborando com o Ministério Público Federal e demais autoridades competentes desde o início das investigações sobre investimentos dos fundos de pensão, sempre no melhor interesse dos participantes, que são os verdadeiros donos do patrimônio da Fundação.” Segundo o fundo dos funcionários da Petrobrás, foram feitas mudanças para fortalecer a governança e a gestão dos investimentos” e reforço nos “controles internos, aumentando a transparência e tornando o processo de decisão de investimentos mais robustos”. 

fonte: Estadão

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