Funcef responde ao Correio Braziliense

Matéria veiculada no jornal, além de usar uma linguagem inadequada para noticiar os fatos, recorreu a conceitos tecnicamente inapropriados

 

A propósito de matéria veiculada no Correio Braziliense, nesta data, com a chamada de capa “Servidores da Caixa terão de tapar rombo na Funcef” (sic), é indispensável, para a preservação da verdade e da realidade dos fatos, que sejam feitos os seguintes esclarecimentos:

Refutamos a afirmação de que “os empregados da Caixa vão cobrir rombo na Funcef”. A entidade não possui nenhum rombo a ser coberto e a diferença entre o termo utilizado pelo jornalista para informar sobre o déficit atuarial existente não é meramente semântica, o que nos leva a lamentara abordagem adotada pelo veículo, que além de não informar corretamente seus leitores, gera desgaste à imagem da instituição e preocupações descabidas para os integrantes dos seus planos de benefícios.

Inicialmente é importante destacar que somente os integrantes do plano REG/Replan, modalidades saldada e não saldada – 63,7 mil pessoas –, serão abrangidos pelo plano de equalização a ser implementado. Os demais, vinculados aos planos REB e Novo Plano, não estão sujeitos à equalização em questão. A FUNCEF possui um total de 137 mil participantes ativos, aposentados e pensionistas.

Não procede a afirmação de que “o assunto vem sendo tratado com discrição, para evitar polêmicas”, como afirma a matéria. Além da divulgação mensal dos resultados nos canais de comunicação da entidade, houve dezenas de encontros, seminários, reuniões, simpósios onde o déficit atuarial foi discutido, inclusive no que se refere à perspectiva de equalização. A Funcef tomou e tomará todas as medidas necessárias para dar total transparência ao contexto deficitário em que se encontram alguns planos, bem como sobre as medidas legais de equalização a serem implementadas.

No dia 19 de março, o Correio Braziliense esteve representado em evento realizado pela FUNCEF exclusivamente para a imprensa, com o objetivo de tratar especificamente dos resultados da entidade nos últimos anos.

Tampouco, utilizamos como referência qualquer outra entidade para justificar o nível de déficit atuarial dos planos de benefícios da Funcef  A direção da entidade vem mantendo o debate estritamente no âmbito de seus próprios planos, sem fazer qualquer juízo de valor sobre a equalização de déficits por parte de outros fundos de pensão.

Registramos que o déficit atuarial a ser equacionado no plano REG/Replan, em suas modalidades saldada e não saldada, no valor de R$ 5,544 bilhões, não decorre de “má gestão dos recursos” como sugeriu a matéria.

Notadamente, o resultado deficitário decorreu do recrudescimento da crise econômica internacional, que voltou a impactar negativamente os investimentos a partir de 2012, em especial no segmento de renda variável. Os demais segmentos, apesar da crise, superaram a meta atuarial.

Com os resultados de 2014, confirmou-se a necessidade de elaboração de plano de equalização para o REG/Replan, em função do que determina o marco regulatório, visto que o plano de benefícios acumulou déficit atuarial pelo terceiro exercício consecutivo.

Para demonstrar a incorreção doargumento usado pelo jornal, que acusa a existência de “má gestão dos ativos” ou “aplicações erradas”, apresentamos a seguir tabela que resume a rentabilidade dos planos administrados pela Funcef:

 

Carteiras

2012

2013

2014

Acumu-

lada

Renda Fixa

14,48%

9,84%

12,61%

41,60%

Renda Variável

Renda Variável Total

-0,42%

-3,35%

-11,83%

-15,14%

   FIA Carteira Ativa II (Vale)

-7,02%

-10,93%

-27,35%

-39,83%

   Renda Variável – Inv. em Bolsa

10,28%

-8,77%

-5,82%

-5,25%

   Participações diretas em cias.

16,25%

13,62%

3,14%

36,23%

Investimentos Estruturados

11,97%

20,22%

7,62%

44,87%

Investimentos Imobiliários

20,47%

23,38%

16,77%

73,56%

Empréstimos e Financiamentos

15,17%

15,00%

16,29%

54,02%

Total FUNCEF

9,34%

6,98%

4,44%

22,17%

Meta Atuarial

12,04%

11,37%

12,07%

39,84%

Ibovespa

7,40%

-15,50%

-2,91%

-11,89%

SELIC

8,49%

8,22%

10,90%

30,21%

 

Dois fatos corroboram com os resultados apontados acima: o comportamento do Ibovespa (índice de ações da BM&F-Bovespa) e do preço do minério de ferro. Nos três últimos anos o Ibovespa acumulou queda de quase 12%. Já o preço do minério de ferro, de junho de 2011 a dezembro de 2014 caiu mais de 63%, passando de US$ 187,18 para US$ 68,80 a tonelada, variação que impactou significativamente a avaliação do FIA Carteira Ativa II, que investe na companhia Vale S.A. Esse comportamento provocou a redução do valor do ativo de R$ 9 bilhões em 2011, para R$ 5,6 bilhões em 2014.

Há, ainda, um elemento adicional de pressão sobre o déficit da Funcef que merece ser registrado: o vertiginoso crescimento do provisionamento do contencioso judicial, decorrente de ações judiciais movidas por participantes e assistidos. Em 2014, essa provisão se aproximou de R$ 1,5 bilhão, equivalente a quase 25% do déficit atuarial dos planos.

Também não procede a afirmação de que a assinatura de contrato com a CAIXA tenha o objetivo de evitar que a conta recaia exclusivamente sobre os trabalhadores. A informação é incorreta e absolutamente desprovida de sentido.

Os compromissos da CAIXA com os planos que patrocina são estabelecidos em regulamento e previstos na legislação. A necessidade de se firmar contrato com a patrocinadora para equalização de déficit atuarial decorre das disposições legais e normativas vigentes e não da desconfiança dos técnicos da Funcef de que a CAIXA poderia deixar de honrar seus compromissos.

Infelizmente, a matéria veiculada no Correio Braziliense, além de usar uma linguagem inadequada para noticiar os fatos, recorreu a conceitos tecnicamente inapropriados.

A Funcef lamenta a postura do veículo, bem como dos responsáveis pela publicação de reportagem com tantas impropriedades.  

 

Comunicação Social da FUNCEF

 

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